“Eu apenas aconselharia o encerramento formal das escolas se entrássemos numa fase de catástrofe”

In FMUL “

Na semana em que a curva da pandemia em Portugal bateu recordes, não só no número de mortes, mas também no número de internamentos por covid-19, o Prof. Fausto J. Pinto foi convidado do programa “Sexta às 9”, na RTP, para comentar a evolução da situação epidemiológica com a aprovação do novo estado de emergência (o quarto decretado pelo Governo desde o início da pandemia em Portugal).

Trazer clareza e rigor ao debate público, divulgando a evidência dos factos, de forma combater a desinformação sustentada por sucessivas fake news, foi um dos principais objetivos da reportagem, em que o Professor e Presidente do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas realçou que, “quando queremos que a população respeite um conjunto de normas, temos de dar o exemplo”.

Considerando que o Governo tem vindo a adotar medidas reativas ao invés de proativas, Fausto J. Pinto entende que “quando se mistura um pouco a parte política com a parte científica e a parte médica, isso depois traz resultados que não são os ideais”.

homem em escritório a falar

Na opinião do Professor, “ter as crianças nas escolas” é um dos principais pontos a defender neste momento, explicando a posição favorável que adota atualmente com o conhecimento adquirido até à data, em contraponto com a decisão de encerramento tomada em março passado, numa altura em que a situação epidemiológica se apresentava menos grave do que se revela hoje. “Neste momento já temos mais dados e eu apenas aconselharia o encerramento formal das escolas se entrássemos numa fase de catástrofe”, afirmou em entrevista à RTP.

Reiterando a necessidade de se criarem atrativos, investindo fortemente nos recursos humanos e estruturas do nosso Sistema Nacional de Saúde, Fausto J. Pinto criticou a forma como são estabelecidos os contratos de trabalho na área da Saúde, numa entrevista para rever aqui.

homem a desinfetar a rua

Em declarações à Renascença, o Professor defendeu as últimas medidas decretadas pelo Governo para um maior controlo da pandemia, adiantando que “é fundamental haver algum tipo de confinamento”. “Penso que o recolher obrigatório, que é controverso, mas é uma medida sanitária, pois quanto menos exposição houver e menos interação entre as pessoas… melhores os resultados”, declarou Fausto J. Pinto, posicionando-se favoravelmente em relação à proibição de todo o tipo de aglomerados de pessoas.

Alertando que as próximas semanas “vão ser complicadas”, o Professor apelou também ao recurso aos testes rápidos numa ação massiva de testagem, numa entrevista onde prevê situações complexas e reforça a ideia de que o “SNS não é elástico”.

E evocando os bons resultados que o país obteve na primeira vaga, o Prof. Fausto J. Pinto apelou novamente à união e à consciência coletiva em prol de um bem maior que ultrapassa o individualismo da existência humana. “Este é o momento em que temos de estar muito unidos e as pessoas têm que perceber que é uma batalha global e não política. Temos de que ter muita contenção e algum sacrifício”, declarou à Renascença.

Conheça os detalhes desta entrevista, disponível na íntegra aqui.”

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