A maior UCI do país abriu hoje em Santa Maria

in FMUL

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN) inaugura hoje a maior Unidade da Medicina Intensiva do país. Para assinalar o dia foi organizado um evento que marca esta requalificação da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes do Hospital de Santa Maria.

Uma Unidade que contou com um investimento de 3 milhões e 400 mil euros (1.600.000€ em obra e 1.800.000€ em equipamento) e que amplia em larga escala os Intensivos que de 11 camas, passam agora para as 44. Todo o Centro Hospitalar atinge agora as 111 camas só em Cuidados Intensivos.

O equipamento financiado pela Fundação Oriente, o jogador de futebol Cristiano Ronaldo, o agente desportivo Jorge Mendes, e a comunidade israelita em Portugal, custou mais que a própria obra, o que revela a elevada aposta na qualidade tecnológica.

A nova unidade recebe ainda quartos de pressão negativa, onde podem ser internados doentes com uma doença infecciosa e que permite conter a infeção nessas salas, sem transmitir a outros no exterior. Tem ainda a capacidade para oferecer aos doentes uma rede wireless e um televisor para comunicar/interagir com o meio exterior, sempre com a salvaguarda da sua privacidade.

Depois de visita à nova Unidade, o Presidente do Centro Académico de Medicina de Lisboa e Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto deu as boas-vindas a toda a comitiva que visitou o Hospital, bem como os elementos integrantes da Direção clínica e Conselho de Administração. Citando Einstein, uma das mensagens fulcrais do seu discurso apontava para a necessidade de trabalharem enquanto CAML, não desprotegendo financeiramente a investigação e o ensino em detrimento da clínica. “Não se podem esperar resultados diferentes quando fazemos sempre o mesmo”. Ressalvando a importância de reforçar os laços entre partes, Fausto Pinto, insistiu na urgência de reforçar o estatuto de Hospital Universitário “para que se atinja a verdadeira Medicina moderna”. E acrescentou que para que tais ações se tomem, “é preciso capacidade, coragem e competência para continuar a trabalhar em conjunto enquanto Centro Académico”.

Daniel Ferro, Presidente do Conselho de Administração do CHULN destacou os números do sucesso da nova Unidade, mas não deixou de imprimir o reforço que é ainda necessário nos Cuidados Intermédios. Olhou no entanto para “a pandemia como algo que também trouxe aspetos positivos, pois gerou possibilidades como esta que inauguramos hoje”.

Crédito das fotos CHULN

A conferência que contou com Graça Freitas, Diretora Geral da Direção Geral da Saúde, Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, fechou a sessão de abertura com o testemunho emotivo da Ministra da Saúde, Marta Temido que fez em breves palavras uma viagem no tempo em que recordou um passado recente, olhando para a ainda fragilidade presente e com noção que “muito trabalho há ainda a fazer no futuro”, como continuar a munir o SNS com mais meios e investimento. Referiu manter ainda grande emoção cada vez que revisita todos os momentos vividos até aqui. “No meu gabinete tenho um quadro com alguns testemunhos dos Intensivistas, e de outros profissionais de Saúde, e não posso deixar de me emocionar quando releio as frases sobre a fragilidade, finitude e medo nos olhos dos doentes”.

Entregando uma medalha de homenagem nas mãos de João Gouveia, Médico especialista em Medicina Interna / UCI na Hospital Garcia de Orta, EPE, agradeceu, em nome do Ministério da Saúde, “ a todos os Intensivistas do país e aos que coordenam este projeto nacional”.

A viver aquele que refere como um momento de interregno, porque ainda não deixámos para trás a Covid, temos de perseverar nas medidas (…) Desafio que o SNS não perca o ânimo que conquistou nos últimos 15 meses”. 

A cerimónia prosseguiu com três conferencistas, com a moderação de Marina Caldas.

João Gouveia, Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Intensiva e Presidente da CARNMI, abriu a conferência a falar da situação atual da Medicina Intensiva, em Portugal, abordando o tema da SARS-CoV-2 e afirmando que esta área da Medicina foi a chave para a sobrevivência no combate à Covid-19.

Para terminar, João Miguel Ribeiro, Diretor do Serviço de Medicina do CHULN, EPE, discursou sobre a requalificação e a importância da Medicina Intensiva do CHULN, EPE. O diretor deixa uma nota de reconhecimento e agradecimento a quem tornou possível a concretização deste projeto e destacou o esforço de todos os médicos dessa área do CHULN, ao longo destes mais de 12 meses de pandemia.

“Com este projeto de requalificação, aquilo que na minha ótica são os pilares essenciais que devem caracterizar os serviços de ação médica deste Hospital são: capacidade assistencial; promoção de diferenciação; expressão de competências; formação e dinamização da formação, investigação e inovação saem claramente reforçados e é esse o nosso compromisso e asseguro que também é o compromisso subscrito por todos os profissionais do serviço de medicina intensiva”, afirmou.

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