HoloLens: a aposta da FMUL na realidade aumentada

in FMUL

Foi no passado dia 21 de março que a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e a HoloCare estreitaram laços, com assinatura de um protocolo que, numa primeira fase, irá “investir na programação das cirurgias hepática, cardíaca e ortopédica”. A celebração deste protocolo marca o início de um processo de colaboração entre estas duas instituições para o desenvolvimento da tecnologia na FMUL.

É através dos óculos HoloLens, construídos pela empresa norueguesa, que o acesso à modernidade para a educação e formação médica pré e pós-graduada será mais simplificado, através da construção de um software que possibilita uma imagem tridimensional.

Diogo Ayres de Campos, Diretor do Centro de Tecnologia Médica Avançada da FMUL, numa entrevista à Just News, afirmou que, “a imagem holográfica, criada pela realidade aumentada, permite planear e executar cirurgias de forma mais eficaz, direcionado a atuação no sentido de reduzir a hemorragia e retirar menos tecido. Em Medicina, estamos muito habituados a lidar com imagens de duas dimensões, mas, através do uso de óculos de realidade aumentada, conseguimos ter uma noção de tridimensionalidade”.

Este sistema permite, por exemplo, “rodar artificialmente a imagem e ver com mais clareza onde está localizado o tumor e, assim, identificar qual a melhor via de acesso para chegar até ele”. Apesar de, à primeira vista, as vantagens serem claras, o Diretor do Centro de Tecnologia Médica Avançada da FMUL, refere que “é preciso que sejam cientificamente comprováveis, de forma mais objetiva, por exemplo, avaliando o tempo cirúrgico, a quantidade de sangue perdido e a quantidade de tecido ressecado”.

Na entrevista, o Médico Obstetra reforça a importância dos óculos de realidade aumentada HoloLens 2, da Microsoft, neste processo, “ao permitirem sobrepor uma imagem tridimensional reconstruída com base na ressonância magnética ou na tomografia axial computorizada, na imagem do doente ou de um simulador”.

Fausto Pinto, Diretor da FMUL, não tem dúvidas de que “este elemento vai ajudar a formar melhor os médicos do futuro e também aqueles que já são especialistas”, e entende que, “é este processo que uma escola moderna como é a nossa tem como objetivo, garantindo o acesso à modernidade para a educação e formação médica pré e pós-graduada”.

Carlos Neves Martins, anterior presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN), refere que esta aposta no desenvolvimento de respostas inovadores, e de negócio, vai representar “um forte impacto na oferta da FMUL, mas também na restante comunidade do Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML), desde os estudantes até aos investigadores, passando pelos internos de especialidade e médicos especialistas, que passam a ter à sua disposição uma tecnologia de ponta que permite reduzir riscos, maximizar a eficiência e otimizar os sempre escassos recursos”.