Recurso à imagem holográfica na FMUL «vai ajudar a formar melhor os médicos»

in JUSTNEWS

“Em Medicina, estamos muito habituados a lidar com imagens de duas dimensões, mas, através do uso de óculos de realidade aumentada, conseguimos ter uma noção de tridimensionalidade”, refere Diogo Ayres de Campos, diretor do Centro de Tecnologia Médica Avançada da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Com o protocolo estabelecido entre a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e a Holocare, nas últimas semanas, será possível, numa primeira fase, “investir na programação das cirurgias hepática, cardíaca e ortopédica”.

Diogo Ayres de Campos evidencia que “a imagem holográfica, criada pela realidade aumentada, permite planear e executar cirurgias de forma mais eficaz, direcionado a atuação no sentido de reduzir a hemorragia e retirar menos tecido”.

No entanto, o também diretor do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), admite que a área obstétrica é uma das que poderá beneficiar desta visualização tridimensional a título futuro, dada a sua importância “não só no âmbito cirúrgico, mas também na aplicação de instrumentos que vão ajudar ao nascimento do bebé”.

O obstetra destaca a importância dos óculos de realidade aumentada HoloLens 2, da Microsoft, neste processo, “ao permitirem sobrepor uma imagem tridimensional reconstruída com base na ressonância magnética ou na tomografia axial computorizada, na imagem do doente ou de um simulador”.

Neste sentido, consegue-se “uma programação mais eficaz para a equipa cirúrgica e uma menor probabilidade de erro durante o procedimento”, salienta, identificando, a título de exemplo, que, no caso de uma cirurgia para remoção tumoral numa glândula mamária, “existindo uma imagem holográfica de um tumor sobreposta na glândula mamária, mais facilmente será planeada a abordagem cirúrgica e mais precisa será a extração do tumor”.

Como explica, “o sistema permite, por exemplo, rodar artificialmente a imagem e ver com mais clareza onde está localizado o tumor e, assim, identificar qual a melhor via de acesso para chegar até ele”.

Apesar de, à primeira vista, as vantagens serem claras, o diretor do Centro de Tecnologia Médica Avançada da FMUL, realça que “é preciso que sejam cientificamente comprováveis, de forma mais objetiva, por exemplo, avaliando o tempo cirúrgico, a quantidade de sangue perdido e a quantidade de tecido ressecado”.

Diogo Ayres de Campos explica que o software de reconstrução da imagem tridimensional foi desenvolvido pela HoloCare, para ser utilizada com os óculos HoloLens. A colaboração com a empresa norueguesa será no sentido da validação da técnica e no desenvolvimento de módulos adicionais.

A ambição da FMUL de, cada vez mais, apostar nesta área da realidade aumentada, levou à celebração de um protocolo com a HoloCare, potenciando o desenvolvimento e a validação destes softwares.

Fausto Pinto, diretor da FMUL, e Malcom Lucker, diretor comercial da HoloCare, formalizaram este protocolo, que significa, para o primeiro, “o investimento numa área muito importante para a formação pré e pós-graduada”. No seu entender, estes softwares “possibilitam uma melhor compreensão da topografia de várias estruturas anatómicas, ajudando, por exemplo, na planificação de procedimentos cirúrgicos”.

Por outro lado, esta parceria “permitirá não só que a FMUL invista neste tipo de instrumentos e ferramentas, como colabore no desenvolvimento científico de novas áreas no âmbito da realidade virtual e da realidade

O diretor da FMUL não tem dúvidas de que “este elemento vai ajudar a formar melhor os médicos do futuro e também aqueles que já são especialistas”. E entende que “é este processo que uma escola moderna como é a nossa tem como objetivo, garantindo o acesso à modernidade para a educação e formação médica pré e pós-graduada”.

Nesse sentido, a celebração do protocolo entre a FMUL e a HoloCare, no passado dia 21 de março, veio “cimentar a relação entre as duas entidades e marcar o início de um processo de colaboração ainda mais intenso e frutífero para bem do desenvolvimento tecnológico da faculdade”.

Carlos Neves Martins foi outra das figuras presentes na assinatura do protocolo entre a FMUL e a HoloCare, dado o seu cargo de senior advisor da GlamHealth, a consultora que apoia a FMUL, em particular na implementação de estratégias e modelos de gestão inovadores no Centro Tecnológico Reynaldo dos Santos.

O nosso interlocutor explica que este protocolo se enquadra na estratégia de “agregar marcas de prestígio e de referência internacional à FMUL, sobretudo na área da inovação em educação e formação, o que tem acontecido nos últimos dois anos, a nível nacional e internacional”.

Por outro lado, tratava-se de “apostar numa área de atuação de excelência da HoloCare – a realidade aumentada”, criada num consórcio com o Hospital Universitário de Oslo e tendo como parceiros ativos o Hospital Universitário de Akerhus, o Centro Clínico Universitário de Hamburgo e, agora, a FMUL, para além de colaborações comuns, como é o caso da Microsoft.

Esta nova vertente de desenvolvimento de respostas inovadores, e de negócio, vai representar “um forte impacto na oferta da FMUL, mas também na restante comunidade do Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML), desde os estudantes até aos investigadores, passando pelos internos de especialidade e médicos especialistas, que passam a ter à sua disposição uma tecnologia de ponta que permite reduzir riscos, maximizar a eficiência e otimizar os sempre escassos recursos”.

Carlos Neves Martins não deixa de referir o “entusiasmo e à-vontade daqueles que, ao longo deste processo, puderam, pela primeira vez, trabalhar com a tecnologia de realidade aumentada da HoloCare”.

O anterior presidente do Conselho de Administração do CHULN destaca “o potencial que a área encerra e o seu significado no ensino, na formação e na inovação para a FMUL, mas também para o CHULN, enquanto entidade que integra o CAML, e que poderá fruir de sinergias com outros hospitais universitários europeus que estão ligados à HoloCare”.